Mosquito da dengue prolifera mais na primavera, verão e início do outono
MOSQUITO DA DENGUE PROLIFERA MAIS NA PRIMAVERA, VERÃO E INÍCIO DO OUTONO
DOENÇA DA ESTAÇÃO
A dengue é um dos principais problemas de saúde pública do mundo. De acordo como a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 50 milhões a 100 milhões de pessoas são infectadas anualmente, em mais de 100 países de todos os continentes, exceto a Europa. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, um novo balanço parcial da situação mostra uma redução de 41,23% dos casos da doença em janeiro deste ano, em relação ao mesmo mês de 2005. Foram notificados 7.554 casos de dengue em janeiro, contra 12.854 no mesmo período do ano passado. Os estados com maior redução do número de casos são: Paraná (-100%), Amazonas (-89,53%), Maranhão (-86,93%), Acre (-83,60%), Rio Grande do Norte (-83,15%). Mas, mesmo com dados otimistas, é preciso tomar muito cuidado e evitar que novos focos surjam, como o que ocorreu recentemente em Uberaba, no Triângulo Mineiro.
De acordo com Eduardo Pessanha, epidemiologista da Gerência de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, o período mais propício para procriação do Aedes aegypti é no fim da primavera, no verão e no início do outono, quando o volume de chuvas é maior e as altas temperaturas favorecem a reprodução do mosquito, que pode transmitir tanto a dengue clássica quanto a hemorrágica (FHD). “ A transmissão se faz pela picada da fêmea do mosquito, preferencialmente durante o dia.”
“De 08 a 12 dias depois de ter sugado o sangue, o mosquito está apto a transmitir a doença”, explica o médico. Por isso, a principal medida preventiva da dengue é o controle da população de vetores, uma vez que ainda não existe vacina ou qualquer outra medida eficaz. “A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a procriação do mosquito transmissor da doença. È importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasos de plantas, garrafas, caixas d’ água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros”, ensina Eduardo.
Ele ressalta que o contágio pelo vírus da dengue causa uma doença cujo espectro inclui desde infecções não aparentes até quadros de hemorragia e choque, podendo evoluir para a morte. “Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções para uma pessoas sadia, nem pela água ou por alimento.”
O especialista também explica que uma pessoa que já foi infectada pelo vírus pode muito bem ser acometida novamente pela doença. “A imunidade é permanente para um mesmo sorotipo (homóloga). Entretanto, a imunidade por outro sorotipo (cruzada ou heteróloga) só permanece de três a seis meses”, esclarece. Durante a manifestação da dengue, garante o médico, o doente não deve jamais tomara remédios à base de ácido acetilsalicílico. “Devem ser evitados os salicitatos, já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas e acidose”, aconselha.
CLÁSSICA Os sintomas da dengue clássica são semelhantes ao da hemorrágica (FHD). A principal característica fisiopatológica associada ao grau de severidade da hemorrágica é a saída do plasma dos vasos sangüíneos. “Nos casos graves da dengue hemorrágica (FHD), o choque geralmente ocorre entre o terceiro e o sétimo dia da doença, na maioria da vezes, precedido por dores abdominais. É de curta duração e pode levar a óbito em 12 a 24 horas ou à recuperação rápida depois de terapia anti-choque apropriada”, ressalta o médico.
COMO RECONHECER O Aedes aegypti
- Pernilongo preto com listas e manchas brancas e é mais escuro que o pernilongo comum
- Tem de quatro a seis milímetros de comprimento, dois pares de asas e listras brancas no corpo e nas penas
- Tem cor café ou preto
- Desenvolve-se em água parada e água limpa
- As larvas têm aspecto vermiforme
86.893 casos de dengue foram confirmados em Belo Horizonte em 1998
38 casos de dengue foram confirmados em Belo Horizonte em 2005
SINTOMAS
Febre há menos de sete dias, acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas:
- Cefaléia (dor de cabeça)
- Dor retro-orbitária (dor atrás dos olhos)
- Mialgia (dor nos músculos)
- Artralgia (dor nas articulações)
- Prostração (abatimento, enfraquecimento)
- Exantema (erupção na pele)
- Em crianças, sintomas inespecíficos (dor abdominal, rubor facial, náuseas, vômitos, diarréia, anorexia e irritabilidade), podem estar associados aos sintomas descritos ou dominar o quadro clínico.
ALERTA PARA A HEMORRÁGICA
Casos com febre e pelo menos mais um dos quadros abaixo:
- Vômitos e rigidez de nuca
- Tosse, catarro e dor torácica
- Sintomas respiratórios (coriza, tosse, dor de ouvido, dor de garganta)
- Icterícia
- Linfonodos atrás do pescoço e orelha
Pacientes no primeiro dia de melhora da febre ou quinto dia da doença
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Derrames cavitários (pleural, pericárdico, peritoneal, outros)
- Hipotensão arterial
- Pressão arterial convergente (PA sistólica – PA diastólica menor que 20mmHg)
- Hipotensão postural (PA sistólica sentado – PA sistólica em pé maior que 10mmHg)
- Diminuição da temperatura corporal associada a sudorese profusa
- Taquicardia (freqüência cardíaca maior que 100 batimentos por minuto em repouso)
TRATAMENTO
Dengue clássica
- Prescrever antitérmico (dipirona ou paracetamol) e hidratação oral
- Procura imediata de serviço de urgência em caso de manifestações hemorrágicas ou sinais de alerta
- Retorno no primeiro dia de melhora da febre ou quinto dia de doença, devido ao risco de desenvolver FHD nesse período
Dengue clássica com manifestação hemorrágica
- Prescrever antitérmico (dipirona ou paracetamol) e hidratação oral
- Procura imediata de serviço de urgência em caso de sinais de alerta
- Retorno diário para avaliação por médico até o sétimo de doença
Dengue hemorrágica (FHD)
- Internar em leito de observação ou enfermaria, por no mínimo 24 horas
- Iniciar hidratação parenteral, com velocidade e volume conforme avaliação clínica
- Prescrever dipirona ou paracetamol
- Observar atentamente o surgimento ou piora dos sinais de alerta
- Encaminhar para o hospital de urgência/emergência, mantendo hidratação venosa
- Em caso de choque circulatório, internar em leito de terapia intermediária ou intensiva e iniciar hidratação parenteral e abordagem de choque
Prevenção
Evitar água acumulada em:
- Garrafas
- Pneus velhos
- Latas, embalagens e vasilhas
- Vasos de plantas
- Caixas d’ água e cisternas
- Lixo
E outros recipientes que podem armazenar água, servindo de criatório para o mosquito.
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Autor : Augusto Pio
Publicado no Jornal Estado de Minas, de 05Mar06